sexta-feira, 13 de setembro de 2013

CONHECER E TRILHAR O CAMINHO

Sempre fui muito impaciente para obter conhecimento. Seja na escola, quando o professor começa ensinando um assunto e chega numa parte que diz: "isso aqui vocês verão mais à frente" e segue adiante, 
 Detesto que me mandem fazer alguma coisa, qualquer coisa, sem que eu saiba exatamente o que estou fazendo e qual o objetivo, os riscos, etc. Certa vez minha mãe me colocou para mexer uma panela de doce, e eu não tinha a menor ideia do PRA QUE devia mexer, ou seja, a dinâmica da coisa. Acontece que não mexi na velocidade correta, o doce queimou (acho que era cocada) e minha mãe ficou me xingando quando eu disse que precisei ficar coçando a perna.
Na Escola Dominical da Mocidade Espírita se sucedeu a mesma coisa: Tinha vários ensinamentos, e eu não sabia para que serviam, e ficava curiosa, mas só saberia do significado correto nos níveis mais avançados. Meu pai dizia que é para que a pessoa amadureça juntamente com os ensinamentos, para que não haja uma disparidade entre o que você já sabe e o que terá pra aprender. Funcionava também como uma proteção contra aventureiros, pessoas interessadas apenas no conhecimento sem ter a disciplina adequada. A parte do aventureiro eu concordei de imediato. De fato, quando você abre tudo o que você sabe pra quem não está REALMENTE buscando, corre o risco de ser ridicularizado, chamado de doido, ou, por outro lado, de arrogante, de sabe-tudo. Já a parte do amadurecimento eu não concordei, talvez baseada na minha própria experiência, onde eu me achava mais madura com 10 anos do que a maioria dos adultos que conhecia. Mas só agora, que já cruzei o cabo da boa esperança, em que o peso da idade faz-me curvar os ombros cansados, reconheço a importância da dosagem do alimento espiritual.
Ando cada vez mais horrorizada com o predomínio da ideia de "cada cabeça, uma sentença", que tanto inspira os jovens (e não tão jovens) que buscam "inspiração" no esoterismo pra criar seus próprios códigos de conduta, desvinculados da realidade e do bem-comum. Primeiro a pessoa cria sua ideia de mundo, e ela geralmente reflete apenas seus desejos imediatos, carências, frustrações, coisas assim. Para que ela seja funcional (ou seja, não parecer uma maluquice inventada) basta agregar conteúdos que alimentem essa ideia. Os conteúdos não precisam ser profundos, pode ser um filme, um artigo, um pedaço extraído de uma religião em um contexto específico. A finalidade é apenas dar um verniz de cultura à sua elucubração, para poder convencer outras pessoas.
Essas pessoas se dizem "buscadoras", mas tudo o que elas buscam em termos de espiritualidade é para continuar alimentando seu ego, e não seu espírito.
Allan Kardec já dizia: "Mais vale rejeitar 99 verdades do que aceitar uma mentira". Mas, mesmo entre espíritas, o que vejo é credulidade ou intransigência desmedida.


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