quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Uma história de Justiça Guaçuana

Meu momento triste como funcionaria publica do Tribunal de Justiça ? Tive alguns, se bem que o passado os leva com ele, mas teve um único especial que me fez chorar muito. Aquele momento jamais será esquecido por mim, pois senti que aquelas pessoas que defendem a Justiça não sabiam sua forma mais elementar: o respeito e o pior, junto com a injustiça vem a falta de educação, vem a grosseria, os desrespeito ao ser humano.
Ainda me lembro da “carinha de anjo” filha de um "figurão guaçuano" conhecido aqui em Mogi Guaçu, treinada para defender direitos me acusando de louca, desequilibrada...ainda me lembro de seus gritos, de sua acusações, de sua incapacidade de ponderar, de ouvir ... ainda me lembro que no meio daquela algaravia, e não entendia nada do que estava acontecendo, só sabia que pendia sobre mim uma acusação de algo que não tinha feito, pois sequer era minha atribuição cumprir aquela obrigação. No entanto, ainda me lembro da acusação, sem provas da causídica de fino trato e como dói ser acusada injustamente!
A situação do ponto de vista técnico foi superada, simplesmente porque eu não poderia ter feito aquilo que era acusada, mas a dor ficou, pela humilhação pública, perante meus colegas, perante todos aqueles que se encontravam naquela casa forense naquele dia, pelos meus tímpanos que quase explodiram dos gritos da causídica. Muitos me disseram que eu deveria ser drástica, seguir o caminho da lei, mas a Lei jamais seria capaz de apagar aquele dia de mim e, tampouco, dinheiro algum seria capaz de me dar o respeito que me foi negado naquele momento.
Me acovardei? Sim, mas não diante da causídica, mas diante do sistema legal que levaria anos para me dar uma satisfação material para uma dor que nunca será apagada, me acovardei diante da minha dor, diante da incapacidade de reviver com detalhes aquele momento. Decidi seguir em frente, afinal sou filha de gente que nunca estudou, mas que soube educar e me fez forte para jamais devolver na mesma moeda qualquer injustiça.
É engraçado pensar que meu momento mais triste foi causado por uma pessoa que foi educada formalmente para respeitar, respeitar direitos. No entanto, naquele momento pude perceber que meus pais entendiam muito mais de Justiça que aquela moça, sabiam que não se acusa sem provas, sabiam que quem grita com o outro é aquele que não tem razão, sabiam respeitar o semelhante.


Estou virando uma página da minha vida e olhando com pesar que muitos sonham com Justiça, muitos falam em Justiça, mas poucos, bem poucos, são capazes de praticá-la, afinal, o primeiro ato do Justo é respeitar o próximo.

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