sábado, 1 de fevereiro de 2014

Eu e a psicopatia

Após ter trabalhado mais 25 anos como cartorária  no Poder Judiciário e, dentre todos esses anos por mais de 10 em cartório criminal e da Infância e Juventude,  ainda não consegui explicações aceitáveis para crimes com que me deparei ao longo da minha carreira.
Nos várias comarcas quais trabalhei (Campinas, Mogi Mirim e Mogi Guaçu) era comum me defrontar com crimes bárbaros (homicídios, estupros, atentado violento ao pudor, cárcere privado, e outros crimes) que muitas vezes comoviam até mesmo os policiais mais experientes, tamanha era a crueldade e brutalidade imposta pelos algozes as suas vítimas. Com muita freqüência, compulsei processos onde deparei-me com laudos necroscópicos com corpos mutilados e acondicionados em sacos plásticos, corpos empalados, decapitados, cremados intencionalmente, crianças violentadas sexualmente e posteriormente assassinadas (lembro de um caso onde a criança, quase bebe, tinha apenas 1 ano e sete meses de idade) . Para buscar repostas para minhas inquietações resolvi tentar adentrar a mente desses criminosos, tendo como principal instrumento, a principio,  a observação empírica  pura e simples, e posteriormente, cursei psicanalise.  E foi dessa forma que passei a compreender vagarosamente as deficiências do cérebro dos psicopatas, e como pensam e agem os portadores dessa síndrome.
       A probabilidade de uma pessoa tropeçar com um psicopata em sua vida é muito grande e pode ser muito dolorosa. Para nossa segurança física, psíquica e financeira é importante que saibamos identificar um psicopata, e assim possamos nos proteger e minimizar o dano que ele pode nos causar. Estes indivíduos podem ser encontrados em toda raça humana, nos mais variados segmentos de cultura, sociedade e estilo de vida. É muito provável que todos nós já tenhamos conhecido algum psicopata, e já tenhamos sido enganados ou manipulados por eles, sofrendo as conseqüências de suas maldades.
       Os psicopatas não são considerados loucos seguindo as normas psiquiátricas. Suas ações maléficas não são atos resultantes de mentes transtornadas. Ao contrário disso, suas mentes agem de forma racional e calculada combinadas com uma incapacidade insensível no trato com seus semelhantes. Nesse sentido, um fundamento básico marca a personalidade de um psicopata: a profunda incapacidade para preocupar-se com a dor e sofrimento de outras pessoas, uma ausência total de empatia para com o próximo, o que resulta numa incapacidade para o amor.
       Estima-se que 3% da população masculina e 1% da feminina podem ser portadores da síndrome de psicopatia. Os psicopatas cometem quatro vezes mais crimes violentos do que os  criminosos comuns. Calcula-se que 20% a 30% da população carcerária possuem diagnóstico de psicopatia e, em presídios de segurança máxima pode chegar a 50%. Psicopatas cometem 44% dos homicídios de policiais nos Estados Unidos. A possibilidade de psicopatas matarem estranhos é sete vezes maior que em outros criminosos. Pesquisas revelam que 85,5% dos Serial Killers são psicopatas e outros 9% possuem apenas traços anti-sociais para diagnóstico de psicopatia. Os dados também revelam que 75% dos Serial Killers estão localizados nos Estados Unidos da América do Norte, provavelmente porque os americanos têm melhores estatísticas que outros países. No Brasil os dados ainda são muito precários ou inexistentes.
       Portanto, precisamos divulgar pesquisas e mecanismos necessários para identificação de psicopatas que convivem em nossos meios sociais. Como diz o psicólogo canadense Robert Hare: “Se não soubermos identificá-los, estamos destinados a sermos suas vítimas, como indivíduos ou como sociedade (HARE, R. Sem consciência, p. 26)”. 

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